submarino

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Janet Clair

No dia 25 de abril de 1925, em Conquista, no interior de Minas Gerais, nasceu a filha do comerciante Salim Emmer e da costureira Carolina Stocco. Eles lhe deram o nome de Janete Stocco Emmer, mas na certidão de nascimento ela foi registrada como Jenete, como entendeu o escrivão ao ouvir o nome pronunciado com o sotaque carregado de imigrante libanês. A menina passou a infância em Minas e no interior de São Paulo, sonhando em fazer parte do mundo das estrelas do rádio. Na cidade de Franca, no interior paulista, teve sua primeira oportunidade de abraçar esse universo ao interpretar cançonetas francesas e árabes na Rádio PRB-5. Na década de 1940, foi morar com a mãe e o padrasto na cidade de São Paulo. Aos treze anos, trabalhava como datilógrafa em um escritório da Avenida Tiradentes e, aos quinze, no laboratório de análises clínicas de um hospital enquanto fazia um curso de bacteriologista.

Em 1943, Janete fez um teste como radioatriz e locutora na Rádio Tupi-Difusora. Aprovada, decidiu seguir carreira, mesmo ganhando menos do que no laboratório. Nos corredores da rádio conheceu, em 1945, o então radioator Alfredo Dias Gomes. Cinco anos depois, estavam casados e morando no Rio de Janeiro. Em 1948, a ligação de Dias Gomes com o Partido Comunista criou problemas na Rádio Tupi-Difusora e ele deixou a emissora para ser diretor de radioteatro na Rádio América. Janete acompanhou o marido e começou a escrever para ajudar no orçamento familiar. Até 1967, ela escreveria mais de 30 radionovelas, a maioria delas para a Rádio Nacional, onde estreou em 1956, com Perdão, meu filho. Foi nesse período que, por sugestão do radialista Octavio Gabus Mendes, ela passou a assinar “Janete Clair”. O sobrenome pelo qual seria conhecida pelo resto da vida era uma alusão a uma de suas músicas favoritas: Clair de lune, do compositor francês Claude Debussy.

A estréia na televisão aconteceu depois de um bom período enfrentando preconceito das emissoras e vendo sinopses sendo recusadas sem sequer serem lidas. Em 1964, O acusador foi ao ar na TV Tupi de São Paulo, com direção de Fabio Sabag e com Jardel Filho interpretando dois irmãos gêmeos que trocavam de identidade para solucionar um crime.
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